Nem tudo o que dói pede resposta.
Algumas dores apenas solicitam presença.
Há momentos em que o silêncio não é ausência de palavras,
mas excesso de sentido.
É quando o mundo fala demais
e a experiência exige contenção.
Atravessar não é avançar.
É sustentar o intervalo
entre o que já não se é
e o que ainda não encontrou forma.
Quem tenta nomear tudo se protege.
Quem aceita não compreender de imediato
permanece.
Este texto não propõe saída.
Propõe fôlego.
Porque há travessias que não conduzem a um lugar,
mas a um modo mais inteiro de estar.