Vivemos em um mundo tecnicamente conectado
e emocionalmente desencontrado.
Há excesso de discurso
e escassez de escuta.
Abundância de opinião
e pobreza de presença.
As pessoas aprenderam a falar sobre sentimentos,
mas desaprenderam a sentir sem defesa.
Reagem rápido, julgam antes,
se protegem enquanto se afastam.
O desencontro emocional não nasce da falta de informação,
mas da dificuldade de sustentar o contato
com o que o outro desperta.
Quando o afeto se torna ameaça,
a distância passa a parecer segurança.
E assim seguimos:
próximos no espaço,
distantes no encontro.
Talvez o que falte ao mundo
não seja mais expressão,
mas a coragem de permanecer
quando a emoção não é confortável.