CHERUBINI
Histórias sobre o que parece real — até deixar de ser
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Textos
O mundo desencontrado das emoções
Vivemos em um mundo que se desencontrou das próprias emoções.
As pessoas falam alto, mas sentem baixo.
Carregam uma pobreza de afeto que não admite,
e uma riqueza de julgamentos que distribuem sem pudor.

É curioso — e triste — como nos tornamos peritos em apontar falhas,
mas analfabetos quando o assunto é acolher dores.
Sabemos rotular o outro com precisão cirúrgica,
mas tropeçamos quando tentamos nomear a nossa própria tristeza.

Há quem caminhe por aí com o peito vazio
e a língua afiada.
Corações desnutridos de ternura,
mas bem alimentados de opinião.
Gente que nunca olha para dentro
porque é mais fácil mirar a lupa no mundo
do que no próprio espelho.

E assim seguimos: emocionalmente famintos,
mas satisfeitos com migalhas de razão.
Ricos de julgamento, pobres de gentileza.
Tão preocupados em parecer fortes
que esquecemos de ser verdadeiros.

Talvez o resgate comece quando aceitarmos que sentir não é fraqueza.
Que vulnerabilidade não é defeito.
E que o outro não precisa ser combatido —
precisa ser compreendido.

Porque, no fim, não é o mundo que está duro demais;
somos nós que esquecemos o caminho de volta à presença,
ao afeto,
ao humano que ainda insiste em respirar dentro de cada um.

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Enviado por CHERUBINI em 08/01/2026
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