Os jovens de hoje não são os jovens do nosso tempo.
E talvez seja exatamente por isso que incomodem tanto.
Já não aceitam com naturalidade a lógica herdada, repetida como mantra: estude, forme-se, consiga um emprego, compre uma casa, compre um carro, trabalhe dia após dia para sustentar gastos que já não lembram desejo, apenas manutenção.
O que para gerações anteriores parecia progresso, para muitos deles soa como aprisionamento.
Uma vida inteira organizada em torno de boletos, recompensas adiadas e um cansaço que chega antes do sentido.
Não é que rejeitem o esforço. Rejeitam a promessa vazia de que sobreviver seja o mesmo que viver.
Cresceram observando adultos girarem incessantemente na ilusão infinita da roda do rato — sempre em movimento, sempre exaustos, sempre à espera de um amanhã que insiste em não chegar.
Talvez por isso desacelerem. Questionem. Recusem.
Não por fragilidade, mas por lucidez.
Os jovens de hoje não querem dominar o mundo.
Querem apenas caber nele
sem precisar se mutilar por dentro.