Ainda assim, algo insiste em começar antes da hora.
Como se o tempo tivesse se deslocado para dentro —
e, ali, perdido qualquer forma de medida.
Não se trata de compromisso.
Nem de atraso.
Nem de urgência concreta.
É outra coisa.
Uma antecipação contínua,
sem direção,
que impede qualquer permanência.
Os pensamentos já chegam adiantados.
As respostas surgem antes da pergunta se completar.
E o presente se reduz
a um intervalo curto demais
entre duas projeções.
Nada aconteceu.
Mas a sensação
é de que algo já ficou para trás.
E, ainda assim, o corpo tenta acompanhar.
Ajusta o ritmo.
Acelera por dentro.
Procura alguma forma de alcançar o que nem chegou a existir.
Inútil.
Porque essa pressa não responde ao mundo.
Ela responde a um desalinhamento interno —
um tempo que deixou de coincidir consigo mesmo.
E, quando isso acontece,
não é o movimento que se perde.