Textos
Quando o abrigo muda de direção
“Mãe” nunca foi apenas uma palavra.
Sempre me pareceu mais um lugar.
Aquele lugar de calma
onde o abraço aquece,
o coração desacelera
e o afago permanece
mesmo depois do toque.
Mãe é esse espaço invisível
onde a vida encontra abrigo
quando o mundo pesa demais.
É um tipo de amor
que não faz discurso.
Não precisa convencer.
Não exige perfeição.
Só permanece.
E talvez exista algo comovente
na forma como muitas mães
torcem pelos filhos
a vida inteira.
Torcem nas pequenas coisas.
Nas primeiras tentativas.
Nos dias difíceis.
Nos sonhos que ainda parecem distantes demais.
Mas o tempo passa.
E existe um momento da vida
em que algo muda silenciosamente.
Aquela figura
que parecia inabalável
começa a cansar.
A voz desacelera.
O corpo envelhece.
O olhar muda.
E o filho percebe
que aquela pessoa
que sempre serviu de abrigo
também precisa de colo.
Também sente medo.
Também precisa ser cuidada.
Também precisa descansar
em alguém.
Talvez uma das partes mais difíceis de crescer
seja perceber isso.
Entender que o cuidado,
com o tempo,
às vezes muda de direção.
Até que um dia
os filhos adultos percebem
que amar também deve significar isso:
tornar-se abrigo
para quem um dia foi abrigo.
Porque o cuidado verdadeiro,
com o tempo,
quase sempre aprende
a voltar.
E talvez uma das formas mais silenciosas de amor
seja justamente tentar devolver,
mesmo sem conseguir por completo,
o acolhimento que um dia recebeu.
Feliz Dia das Mães.
CHERUBINI
Enviado por CHERUBINI em 10/05/2026