A mente humana guarda corredores que poucos se atrevem a percorrer.
Existem portas que permanecem fechadas durante anos.
Memórias que evitamos tocar.
Medos que aprendemos a contornar.
Desejos que escondemos até de nós mesmos.
Passamos boa parte da vida caminhando pelos mesmos cômodos interiores, repetindo pensamentos conhecidos, visitando lembranças familiares e protegendo-nos das regiões onde a luz raramente chega.
Talvez porque saibamos, mesmo sem admitir, que alguns corredores não guardam respostas.
Guardam perguntas.
Perguntas sobre quem somos quando ninguém observa.
Sobre aquilo que perdemos.
Sobre aquilo que desejamos.
Sobre as versões de nós mesmos que ficaram para trás ao longo do caminho.
Há corredores silenciosos construídos pela culpa.
Outros foram erguidos pela dor.
Alguns nasceram dos sonhos que abandonamos para sobreviver.
E existem os mais inquietantes, onde repousam verdades que sempre estiveram diante dos nossos olhos, mas que nunca tivemos coragem de encarar.
Percorrer esses lugares exige mais do que força.
Exige honestidade.
Porque nem sempre encontramos monstros nas profundezas da mente.
Às vezes encontramos a nós mesmos.
E talvez seja justamente esse o encontro que mais tememos.